Queres ser rico? Aqui está a resposta.

Este artigo é sobre dinheiro. Ou então não… Vais ter que ler até ao fim.

O dinheiro e a sua influência sobre nós.

Então o que é o dinheiro? O nosso Deus? Porque tem ele um papel tão importante na nossa vida?

Culpa do dinheiro ou nossa culpa?

Certo dia li um artigo que me fez reflectir acerca da nossa percepção sobre o dinheiro.

Nesse artigo o autor pede para imaginarmos o seguinte cenário:

“Encontramos uma ilha virgem, habitada por pessoas que nunca tiveram contacto com o mundo exterior. Nessa ilha há uma abundância incrível de recursos. No entanto, após pouco tempo, conseguimos convencer esse povo que temos um papel que é extremamente valioso.

Em troca desse papel eles vão trabalhar para as minas, rios e florestas, explorando e oferecendo-nos os seus recursos. Nós vamos ficando cada vez mais ricos com esses recursos naturais.

Enquanto nós vamos ficando mais ricos, os habitantes da ilha vão ficando pobres, infelizes e mal-nutridos. Eles pensam que para a sua vida melhorar têm que obter mais desse papel valioso.

Nós temos papel ilimitado, mas para os mantermos a trabalhar não lhe damos um aumento em papel.

Nós fingimos que estamos a passar por dificuldades, que precisamos que eles trabalhem ainda mais e que, dessa forma,  eventualmente vão ter um bom salário. Eles precisam de manter a cabeça baixa e continuar a trabalhar.”

Ao ler esta história ficamos a pensar o quão estúpidas são as pessoas da ilha. Como se deixaram convencer tão facilmente a abrir mão de tudo o que tinham em troca de um papel inútil.

Nós somos estas pessoas da ilha, mas muitas gerações depois. Os descendentes dos habitantes e os descendentes dos descobridores com o papel. Claro que vai havendo sempre quem consegue passar de um para o outro lado da barricada, mas estes dois grupos representam desde há milénios a nossa sociedade. Isto NUNCA vai mudar.

No fundo, o dinheiro não passa de uma ilusão. Um papel que nós fomos ensinados a adorar e a querer, como uma religião.

Apesar de ser uma ilusão criada pela humanidade, o dinheiro está enraizado no nosso subconsciente, não há como fugir-lhe. Vai ser uma constante da nossa vida, dos nossos filhos, netos e por aí fora.

Plot Twist

Depois de ler isto, consideras-te um dos habitantes da ilha? Sentes-te revoltado por ter de viver num mundo assim – em que és o escravo que tem de trabalhar por uma esmola – sem nunca ter a alternativa de poder cumprir os teus sonhos, como fazem as pessoas com dinheiro..? Sentes-te aprisionado nessa malha que é a ilusão do dinheiro?

Então, infelizmente, estás realmente aprisionado na pior consequência da ilusão do dinheiro: a ilusão que o dinheiro pode trazer a felicidade que não consegues obter no teu dia-a-dia. É essa a verdadeira ilusão que consome a tua grandeza e te faz idolatrar cada vez mais o “Deus Dinheiro”.

Vou explicar porquê:

Aproveitando a história da ilha, na realidade os inventores do dinheiro não estavam a explorar a estupidez dos indígenas, estavam sim a explorar uma das maiores fraquezas do ser humano/sociedade: a falta de busca interior. O ser humano foge a sete pés da sua procura interior. Porquê? Porque é difícil, confusa, dolorosa. Porque nos leva a questionar tudo, faz-nos sentir diferentes, inadaptados. E como fugimos dessa procura? Adaptando-nos à realidade global, onde o Deus é e será o Dinheiro.

Ou seja, é mais fácil agir como os habitantes da ilha e seguir a percepção global do que é o correcto – trabalhar para um salário, e adaptar às possibilidades oferecidas por esse salário – do que buscar o que realmente somos/queremos ser sem os filtros impostos pela sociedade.

Informação importante: Se não houver busca interior não há possibilidade de experienciar verdadeira felicidade.

Outra informação importante: a busca interior não se pode comprar, simplesmente faz-se. (vou contar um segredo: há muuuitos ricos deprimidos)

O que acontece hoje em dia é que a sociedade está cada vez mais predefinida, tudo é igual, os parâmetros de sucesso estão homogeneizados ao máximo. Não há lugar para o pensar diferente. O que pensa diferente dentro da sua comunidade é rapidamente excluído, ridicularizado nas redes sociais, trazido “à razão” pelos amigos e família, etc, etc.

Sentimo-nos mal mas não sabemos bem porquê. Falta sempre qualquer coisa. Passamos pelo feed das redes sociais e vemos os outros tão felizes. Porque não podemos estar assim? Onde é que errámos na nossa vida para estar neste sitio, agora? Errámos em tudo? Porque não somos a estrela que outrora acreditávamos que iríamos ser?

Porquê? Porque acreditámos no mundo. Em algum momento da nossa vida aceitámos as regras da sociedade. Demos ouvidos ao juízos de valor de outra pessoa. Aliás, não só uma vez. Milhares.

Todos nascemos com uma missão, um talento, destinados a algo individual, único e intransmissível. A nossa infelicidade começa no momento em que nos começamos a afastar da procura desse destino.

Normalmente isso começa muito cedo na infância. E, ao longo da vida, vamos sendo embrulhados nessa onda de regras, sonhos e juízos de outras pessoas, afastando-nos de nós e não usufruindo da vida que sabíamos estar destinados.

Um exemplo: uma criança adora animais, passa o dia a ler livros sobre as diferentes características dos animais, sonha em ter uma quinta com animais e ser veterinária. Essa criança conta esse desejo à mãe. A mãe responde-lhe que o curso é muito difícil, que ela quando era pequena também queria ser médica mas as pessoas da família não eram muito inteligentes e nem tentou porque sabia que não ia ser capaz. O que acontecerá com o propósito dessa criança?

Os exemplos podem tomar tantas formas.. todos passamos por esse processo.

Então o que fazer?

Então somos adultos e ainda não encontrámos o nosso propósito? O que pensa um adulto responsável na nossa sociedade: “O meu tempo já passou. Agora tenho mas é que trabalhar, as minhas oportunidades já passaram.” A sociedade quer-nos conformados. Temos precisamente de fazer o contrario! Só temos uma vida e, na verdade, só nós próprios nos preocupamos verdadeiramente com ela.

> ACREDITAR que nunca é tarde para caminharmos na direcção certa.

Todos temos um caminho a percorrer, no entanto temos que aceitar e começar a percorrer esse caminho. Se estagnarmos e aceitarmos quem somos – ou melhor: em quem nos tornámos – não estamos a ir a lado nenhum.

> TRABALHAR no nosso desenvolvimento interior.

Para aspirarmos a mais, temos que SER mais. É a única forma de nos aproximar-mos de quem deveríamos ser. Para isso temos que encarar os nossos defeitos mais profundos e trabalhar neles. Isso exige um esforço extremamente doloroso. Encarar os nossos fantasmas não é fácil. Exige muita sabedoria que temos que apreender do mundo, que temos de procurar e transformar até chegarmos à NOSSA sabedoria.

3º > TER CORAGEM para nos ouvirmos e seguir o caminho com base na nossa sabedoria.

4º > CONFIAR que o caminho se vai revelar. E o caminho vai revelar-se sempre na proporção do que nós somos. O caminho até pode não estar muito longe, mas pode ser muito mais belo.

Por exemplo, para mim, este blog é um passo no meu caminho. É um passo que só se revelou por eu ter procurado ser mais do que era. Se eu já atingi o meu propósito, o meu destino? Não, nem perto. Nem ninguém que tenha atingido alguma sabedoria vai dizer que atingiu.

  A vida é um caminho sem destino marcado. É um caminho de volta a nós, de descoberta interior que se manifesta numa vida grandiosa e cheia de possibilidades.

E onde entra o dinheiro nesta equação de procura interior? O dinheiro é simplesmente a maior força de aversão à procura interior, porque é a força que motiva TUDO no mundo. E TU não és igual ao resto do mundo.

Não quero dizer com isto que devemos procurar uma vida sem dinheiro. Devemos sim ter como objectivo mais sabedoria, e não mais dinheiro. Garanto que com mais sabedoria vai revelar-se naturalmente mais dinheiro. Ou então não, podes nem precisar de dinheiro no teu caminho. Quem sabe?

Portanto, este não é um artigo sobre dinheiro. É um artigo sobre a insignificância do dinheiro no nosso desenvolvimento interior, e consequentemente, na nossa felicidade.

Até à próxima.

Com amizade,

Valter

Uma avestruz voadora

Imagem em destaque por

Christian Dubovan

Written by Valter