Projecto Avestruz

Repentinamente fui inundado por um sentimento de clareza e desespero, simultaneamente. Como se estivesse no meio de uma estrada à noite e um carro aparecesse, do nada, encandeando-me. Não havia nada a fazer. Olhava-me ao espelho e não me reconhecia. Tentava lembrar-me do que estava ali a fazer, contemplando. Procurava no meu passado, e não me reconhecia nele. Tentava relembrar-me. Sim, tinha passado por aqueles momentos, mas algo me distanciava deles.

Naquele momento tive consciência de tudo. Estava presente, ali, a olhar para alguém, estranho e não estranho. Senti-me desesperado por não me reconhecer, mas ao mesmo tempo senti-me a encontrar alguém talvez pela primeira vez. Estava a ter noção de mim, não como um corpo, não como um ser-humano. Estava a ter um encontro com a minha essência que, sem razão aparente, se manifestou. Mostrou-se na forma de uma catarata de sentimentos que, mesmo se quisesse, nunca conseguiria descrever sob a forma de palavras. Estava perante a minha alma que, parecendo fora do corpo, me observava. Não estava ali para me julgar nem para me ajudar. Estava ali, depreendo eu, só para se dar a conhecer.

Assim como veio, esse sentimento desapareceu. Voltei a ser eu, o ser-humano, com os meus defeitos e virtudes, com o meu horário… – AHHH..!, estou atrasado, tenho que sair de casa! – Ordenei. Mas esse vislumbre ficou comigo, espero eu, para sempre.

Esse momento despertou cá dentro uma procura, uma busca que nunca tinha sido iniciada. Penso que todos temos esse momento, mais tarde ou mais cedo. Por via de uma iluminação, uma conversa, desespero, inspiração, etc, etc. Só que depois dessa revelação, uns tendem a tirar a cabeça de dentro da areia, e outros não. O que me leva à metáfora que dá nome ao meu blog. Sim, somos todos Avestruzes!

É uma metáfora quase perfeita para como vivemos grande parte das nossas vidas: uma avestruz com a cabeça enfiada na areia. E se a quisermos levar mais longe, com asas mas sem saber usá-las.

 

O que esperar?

É sobre esta demanda que se centra o meu blog. Sobre as minhas filosofias, e sobre a minha procura do voo enquanto avestruz. Quero falar sobre isto para poder motivar e inspirar outras avestruzes a tirarem a cabeça da areia e a tentarem o voo.

Vou falar de mim, da minha visão do mundo. Explorar o que me faz bem e também o que me faz mal. Partilhar as minhas dúvidas e inquietações e o que me faz progredir e vencer.

Espero aprofundar temas que me interessam como o Desenvolvimento Pessoal e o Empreendedorismo, sempre numa perspectiva pessoal e de busca interior. Importa frisar isto, porque o que funcionar, ou não, comigo ou para mim, para ti poderá resultar. Não venho à procura de discípulos, simplesmente de partilha.

Espero poder vir a trazer algum tipo inspiração à tua vida.

Valter Santos

Uma Avestruz Voadora

 

Nota: Há certas coisas que prejudicam a minha metáfora. Por exemplo, as avestruzes na realidade não enfiam a cabeça na areia e, por mais que desejem e façam por isso, nunca vão conseguir voar.  Vamos manter-nos então na avestruz metaforicamente falando. Acreditando que, se somos avestruzes e temos asas, teremos a capacidade de voar, ou pelo menos correr incrivelmente rápido! 🏃‍♂️