“O amor é uma doença…”

“A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros
Nas pontes, nas ruas…
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura”

Ornatos Violeta

Com estas palavras termina umas das, na minha opinião, melhores músicas de sempre: Ouvi Dizer – Ornatos Violeta

Com certeza que as suas palavras dão alma a muitos desamores, mas contêm, nesta última parte, uma sabedoria tão profunda que me arrepia sempre (a voz e capacidade de declamação do Vitor Espadinha também ajudam).  Uma sabedoria a que só quem foi “destruído” pelo “amor” – claramente o Manuel Cruz foi – consegue aceder. O grande ensinamento vem nas últimas palavras: o amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura.

Claro que não acreditamos nisto inicialmente. O amor dos contos de fadas é sempre perfeito, e é dele que todas as princesas e príncipes estão à espera. Porém, quase sempre, a realidade bate à porta. E… AINDA BEM!

Ainda bem? Não devíamos ter todos direito a um amor de conto de fadas? Não, não existe a princesa/príncipe encantado. Não existe quem nos preencha completamente. E não, não existe uma pessoa destinada para ti.

Desculpa destruir assim os teus sonhos, mas estavas destinado(a) a receber esta mensagem de esperança hoje. 😀

Fora de brincadeiras, esta esperança de encontrar alguém que venha preencher o vazio da solidão é, em si, a causa de não poder encontrar essa pessoa e sentir-nos completos. É a tal doença que fala a música.

Uma coisa que precisamos de COMPREENDER: só há uma pessoa capaz de completar, de preencher o tal vazio, essa pessoa és TU próprio. O problema é que quando estamos sozinhos, sem o tal amor romântico ao qual podemos agregar os NOSSOS problemas, julgamos que esse amor vai resolver tudo. E quando temos o tal amor romântico na nossa vida agregamos-lhe também esses problemas. Ou seja, agregas a esse tal “amor” os TEUS problemas, quer ele esteja ou não na tua vida. É uma doença.

Quando tens ou não tens alguém na tua vida que pensas que é ou vai ser a cura para um vazio, que vai trazer o que te falta, por quem esperas para crescer, estás doente. É tão simples quanto isso.

Podes nunca ter sido magoado e não compreender este raciocínio. Podes ainda estar a viver no tal conto de fadas da Disney. Mas garanto-te, esta informação que estás a receber agora vai, mais tarde ou mais cedo, atingir-te como um tsunami de realidade. E, nesse momento, poderás começar a olhar para ti, para dentro.

Só quando não esperamos que alguém nos complete, só quando nos aceitamos, só quando sabemos que é possível crescer sozinhos, podemos aceitar completamente alguém, potenciar o crescimento de outra pessoa e, finalmente, amar.

Com amizade,

Valter,

Uma Avestruz Voadora

Written by Valter