Fevereiro guerreiro – 1º Terço

Nove dias passados, um terço do desafio ultrapassado, vamos a um resumo de como tem sido.

Bem, sinceramente, gostava de chegar aqui e dizer que tem sido tranquilo. Que, assim do nada, tinha sido possuído pelo espírito do Rocky e tivesse andado a correr escadarias às 5 da manhã e à luta com vacas mortas (hum… isso talvez não), mas esse não é o caso.

A minha sensação em relação à minha prestação está dividida. Por um lado, considero-me um ser humano desprezível por não ter conseguido cumprir à risca todos os objectivos, por outro, considero que a minha prestação tem sido boa, tendo em conta o ponto de partida –indisciplina quase total – no que respeita às actividades envolvidas no desafio.

Vamos por partes:

Acordar às 5h

Como eu tinha previsto tem sido um dos objectivos mais difíceis de cumprir. Consegui na maior parte dos dias, porém, por me deitar demasiado tarde, na terça-feira atordoei o despertador consecutivamente até às 5.45. Hoje, Domingo, a mesma coisa, só consegui acordar às 5.30.

Tenho também utilizado outra pratica, legal mas não muito honesta em relação ao desafio, que consiste em dormir uma pequena sesta à tarde. Fiz isso dois dias.

Se comparar com os meus “não-hábitos” anteriores tem sido positivo, apesar de em certos dias preferir que me espetassem os olhos com pioneses a acordar, como foi hoje o caso. Contudo, sei que é por um bem maior, o meu crescimento pessoal.

O que considero mais importante é que, durante estes dias, tenho conseguido mais dos meus dias, o que é um excelente indício.

Correr 10Kms / Andar 15kms

Vou confessar uma coisa: quando estava a pensar no desafio, e apesar de correr de vez em quando, o meu cérebro não estava bem visualizar a extensão de 10kms. Uma coisa é certa, agora ele tem a noção exacta da distância!

Ainda assim, tenho conseguido cumprir, quase na totalidade. Aliás, nos dias em que optei por andar em vez de correr foram nos que tive mais problemas e dores musculares.

Hoje é o décimo dia, ainda não tive a minha dose de sacrifício hoje, vai ser mais logo. Portanto, são 9 dias de treinos até agora, 7 de corrida e 2 de caminhada.

Os treinos de corrida foram perfeitos, 10kms em todos, e a sensação de começar a notar mais capacidade física, apesar do cansaço muscular. Não será com certeza um treino para manter a longo prazo, mas neste momento ainda não sinto que me esteja a causar mal-estar ou lesões.

Já nos treinos de caminhada, pelos quais optei no 4º e 5º dias, um “desastre”. No primeiro fiquei sem bateria no relógio a meio caminho, aos 7,5kms e, portanto, não tenho como saber se cumpri o objectivo ou não (pelos meus cálculos não andei muito longe). No segundo treino fui com a Vera, a minha mais-que-tudo que me acompanha nestas coisas, mas como já estava tarde acabámos por só fazer 12,7kms. No geral, estes treinos causaram-me mais dores, nas canelas principalmente, que os treinos de corrida.

Em conclusão, julgo que vou optar somente por treinos de corrida daqui para a frente. Não só pela questão física, mas principalmente pela duração. Simplesmente, mais de 2h30m para um treino é demasiado.

Sem Açúcar

Esta é a minha vitória absoluta! Talvez pela razão que o objectivo em si já estar mais próximo do meu “hábito” anterior. Durante o mês de Janeiro já tinha abandonado os bolos e refrigerantes, e o meu Némesis: as gomas.

O meu maior problema tem sido sobretudo o café sem açúcar, esse Voldemort do sabor. Todavia, tenho vindo a habituar-me progressivamente.

Obvio que não eliminei a fruta, nem era esse o objectivo. Esse facto ajuda-me a ter um pouco de açúcar e não sofrer daqueles cravings demoníacos que a retirada total do açúcar provoca.

30 Minutos de Meditação

Não sei o que pensar acerca deste objectivo. Não sinto que tenha retirado nada de positivo desta prática; não pela prática da meditação em si, mas pela sua duração.

A minha experiência com meditação era sobretudo em períodos de curta duração: 5 a 10min. Contudo, sinto que nesses pequenos períodos retirava mais benefícios do que nesta duração de 30min. Isto levanta a questão: será que isso é um facto ou ainda não estou a atingir um benefício maior porque é algo que tem de ser aperfeiçoado?

Na verdade, o que sinto é que a minha mente começa a ser incontrolável a partir de algum tempo, e depois já estou numa fase de esperar que o tempo acabe, o que torna esta prática ainda mais desagradável.

Vou consistentemente tentar acalmar-me até ao fim do desafio e, se não conseguir observar melhoras no meu desempenho, tirarei as ilações necessárias.

Objectivos de trabalho

Não tem sido fácil avançar no que me propus. Todavia, penso que a principal falha foi na colocação dos objectivos, talvez demasiado ambiciosa. Agora, em minha defesa, tenho produzido bom trabalho no que respeita aos objectivos a que me propus. O trabalho está todo delineado, vamos ver como é a execução daqui para a frente.

CONCLUSÕES

Uma das maiores conclusões que posso tirar acerca deste desafio é a que devo trabalhar a minha capacidade de lidar com as expectativas. Aqui estou eu, a lutar para completar um desafio bastante exigente segundo os meus parâmetros actuais, em várias frentes da minha vida, e tenho a necessidade de estar obsessivamente a procurar a falha. Gostava, e tenho a certeza que esse é o caminho, que estas “falhas” não causassem a mínima “comichão”.

Essa obsessão na perfeição é sem dúvida uma das maiores causas da alienação que vivemos actualmente. É normal não ser perfeito. É normal eu não ter acordado dois dias à hora que tinha proposto. Deveria ser normal eu olhar para esse facto não como uma falha mas como algo inerente à minha condição de humano.

Agora o leitor perguntará: Não é esse um discurso de perdedor?

Não. Essa construção de “vencedor” que temos na nossa sociedade, daquele que nunca falha, daquele que está sempre bem, é uma mentira que aceitámos para nos ser possível auto-martirizar à vontade. Todos nós adoramos fazer isso.

O quero continuar a fazer é a dar o meu melhor e a não falhar mas, caso tenha dado o meu melhor e tenha “falhado”, não me martirizar e seguir em frente sem mágoa. Isso sim seria um grande feito.

Com amizade,

Uma Avestruz Voadora,

Valter

Written by Valter