8 Razões porque deves criar o teu negócio HOJE!

O ano era 2011 e eu tinha acabado de terminar o meu curso em Terapia da Fala. Estávamos em plena altura de crise, com a TROIKA de visita ao nosso país de brandos costumes. O desemprego jovem era enorme, as empresas e famílias em grande contenção de despesas. E eu, na minha atitude inocente, dizia: “Olá, mercado de trabalho!”. E o mercado dizia-me uma e outra vez, em alto e bom som: “NÃO OBRIGADO”. Tudo isto, e o facto de não ter o que se pode chamar – “desejo ardente em ser terapeuta da fala” – levou-me a pensar em formas de sair daquela situação. Foi nesse momento que tomei a decisão, mais por desespero do que por coragem, de começar o meu primeiro negócio – uma loja de estampagem de t-shirts. (tudo a ver… certo?)

Eu não sou propriamente o melhor exemplo para este artigo. Quando comecei, não estava a seguir um sonho ou a tentar capitalizar as minhas aptidões na altura. Iniciei o meu negócio principalmente pelo desejo de fuga a um caminho que tinha tomado uns anos antes e já não me trazia sentido. Concluindo, até tive sorte em vir a gostar do caminho que tomei por impulso mas não fui, de todo, o melhor exemplo para entrar no empreendedorismo.

O caminho não foi fácil até aqui, agora. No entanto, tenho a certeza que o meu crescimento enquanto humano foi maior do que se não tivesse desafiado tudo e todos para perseguir a fuga à minha “realidade desesperante” nessa altura.

Teremos tempo para falar da minha história noutra altura. Hoje, neste artigo, falo das razões mais importantes para considerares esquecer o medo e construíres o teu negócio e futuro. Porque ter um negócio é, em primeiro lugar, assumir o controlo sobre o nosso próprio caminho.

Há imensas possíveis motivações para começar um negócio próprio. Há pessoas que parecem destinadas a abrir o seu próprio negócio, que já nascem com o “bichinho” do empreendedorismo. Para outras o negócio vem de família e é como se fosse o seu caminho natural. Há também aqueles, como eu, que procuram por necessidade uma alternativa à sua realidade insatisfatória. No entanto, todos eles descobrem uma coisa: controlar a própria profissão e, consequentemente, o próprio tempo, traz mais possibilidades que algum dia teriam a trabalhar para alguém.

Rapidamente, consigo identificar 8 principais razões para optar por ter um negócio em contraponto a trabalhar para outra pessoa. Aqui estão elas:

1 > Ser o dono do bem mais precioso: O nosso tempo.

Para mim esta é a razão mais importante e decisiva. Não há nada mais finito e inestimável na nossa vida que o nosso tempo. E, quer queiramos quer não, quando se trabalha para outra pessoa, estamos a utilizar o nosso tempo para construir o sonho dessa pessoa. Não quer dizer que seja um mau sonho, ou que não se possa ser feliz a trabalhar para outra pessoa, só nunca será o TEU sonho.

Quando temos um negócio somos os ÚNICOS responsáveis pelo nosso tempo, e temos um maior CONTROLO sobre a nossa vida. Não há ninguém a quem culpar, nem ninguém a quem agradecer, estamos unicamente dependentes de nós próprios. Isto pode ter tanto de negativo como de positivo. No entanto, na minha perspectiva,  o facto de não estarmos dependentes de ninguém, traz mais responsabilidade à nossa vida. Mais responsabilidade, mais crescimento.

2 > Perseguir uma paixão

Normalmente ter um negócio envolve perseguir uma paixão. Aliás, se for só para trabalhar sem paixão no próprio negócio, mais vale trabalhar para outra pessoa. Não envolve tanto risco.

 – Ah, mas eu não tenho nenhuma paixão, Valter..? Estarão agora alguns leitores a pensar.

Se não têm nenhuma paixão evidente na vossa vida algo está errado, e a causa é provavelmente não se terem predisposto o suficiente a procurá-la. Isto é algo que teria acontecido comigo se me tivesse conformado em ser terapeuta da fala. Era algo que acabei por perceber que não tinha a ver comigo mas, como já tinha tirado o curso, era o caminho normal a tomar. Temos que entender que na vida não há “caminhos normais”. Não é porque os vossos pais são advogados que vocês não podem ser artistas plásticos. Ou porque os vossos pais são agricultores que não podem ser cientistas. Há que procurar o que realmente nos apaixona, e isso está muitas vezes escondido atrás de momentos difíceis do nosso percurso – como aconteceu comigo. Podem até não querer transformar as vossas paixões num negócio, mas é obrigatório que as tenham.

3 > Um maior desafio.

Esta é óbvia. Um empreendedor, principalmente o tipo de empreendedor a que este artigo é dirigido – que é o empreendedor de primeira viagem, sem recursos – tem que se multiplicar. Tem de aprender sobre a sua actividade, sobre o mercado, sobre contabilidade, marketing, e muitos muitos mais assuntos só para começar. Isto é bastante diferente de qualquer trabalho que se arranje por conta de outrem, em que há funções já definidas e nunca na amplitude das que um empreendedor a solo tem que abarcar.

O desafio do empreendedor é maior, logo também requer um maior investimento nele próprio – o melhor tipo de investimento.

4 > Potencial de Crescimento

Não vamos enganar-nos: a maior parte das empresas não sobrevivem ao primeiro ano. Porém há aquelas que sobrevivem, e ainda há aquelas que crescem. Se por acaso conseguimos levar a nossa avante, o potencial de rentabilidade com um negócio de sucesso é extremamente maior do que numa carreira normal. Grandes riscos, grandes retornos.

No caso de não conseguir, as aprendizagens ficam para sempre.

5 > Aprender a lidar com o falhanço

Ter um negócio não é tudo menos um lindo campo de flores, principalmente quando se começa do zero e com recursos limitados. Vão existir meses em que se perde dinheiro, em que há imprevistos, em que o nosso desempenho não é tão bom e isso afecta o nosso rendimento, dias de cansaço extremo, anos em que não há férias, etc. Aí entra uma capacidade fulcral que todos os empreendedores têm: a Resiliência. E esta cresce cada vez que é utilizada.

A vida de quem tem um negócio está sujeita a tanta incerteza, e com tanta coisa a correr fora do planeado, e muitas vezes mal, que o empreendedor começa a aceitar o erro, seu e alheio, como algo inevitável e controlável. Isto torna o empreendedor mais adaptável e resiliente, não só nos negócios como na vida em geral.

6 > Maior flexibilidade para a mudança

Só pelo facto de ter mais controlo sobre o seu tempo, o empreendedor tem mais flexibilidade no como quer conduzir a sua vida.

Por exemplo, um empreendedor deixou de sentir a paixão que sentia pelo seu negócio ou identificou uma oportunidade que está a aliciá-lo mais. Por gerir o seu tempo, terá sempre mais margem de manobra para investir em novas ideias do que se trabalhasse num emprego normal.

Em geral, a perspectiva de um empreendedor sobre como funciona o mundo também é diferente. Como tem mais controlo sobre o seu dia-a-dia acaba por reflectir mais sobre o rumo que está a tomar e está mais disposto a tomar acções que mudem alguma coisa que está a correr menos bem.

7 > Legado.

Todos queremos deixar uma marca neste mundo. Cada um à sua maneira, mas todos querem. Ter um negócio é algo para onde poderemos olhar lá mais à frente e dizer que criámos algo. Algo que nos poderemos orgulhar. Não só em termos monetários mas principalmente pela coragem que tivemos ao fazê-lo. Deixaremos essa marca em quem nos conhece e admira. E isso viverá nessas pessoas para sempre. Isso é legado.

8 > É FÁCIL COMEÇAR!

Apesar da concorrência ser muita em todas as áreas nunca foi tão fácil criar um negócio. A informação sobre tudo o que possamos querer aprender está à distancia de um clique. E os possíveis compradores do nosso produto ou serviço à distancia de outro clique. Os recursos são imensos, mais do que alguma vez foram.

Na maior parte dos negócios a barreira à entrada é relativamente baixa, depois dessa barreira é uma questão de competência e resiliência para ultrapassar as dificuldades e construir algo em que as pessoas confiem.

Por exemplo no meu negócio, qualquer pessoa com um investimento de 1000€ ou menos pode começar a estampar t-shirts. Porém, de começar um negócio do nada até conseguir sistematizá-lo para obter um rendimento constante, vai um loooongo caminho, nada fácil por vezes. Um caminho feito de muitos erros e aprendizagens. Mas isto não é só no meu negócio, é em todos.

Portanto, meus amigos que consideram a hipótese de abraçar esta grande aventura, alerto-vos para as dificuldades que estarão certamente no vosso caminho mas encorajo-vos para as encararem sem medos, porque a vida que realmente merece ser vivida está sempre para lá dos nossos medos.

Se têm uma ideia ou uma vontade interior de ser empreendedores mas acham que o risco é muito grande pensem em como se vão sentir quando perceberem que já não têm essa hipótese mas só um arrependimento.

Vamos lá a puxar pelo bloco de notas e a começar a planear o vosso futuro negócio. Sem medos.

Escreverei mais sobre risco, medos e outros assassinos de potencial humano no futuro. Mi aguardem!

Até à próxima!

Com amizade.

Valter,

Uma Avestruz Voadora

Written by Valter